Apesar dos problemas, Egito ainda encanta o turista e já foi cenário para Transformers

O Egito já foi cenário de diversos filmes.  Desde A Joia do Nilo (1985), com com Michael Douglas, Kathleen Turner e Danny deVito, até 007 – O Espião que me Amava (1977) e Transfomers: A Vingança dos Derrotados (2009).

E ir ao país é como viver uma aventura típica de Indiana Jones – que foi filmado na Tunísia, uma das nossas próximas paradas.  Tumbas em Alexandria ou no Cairo, pirâmides mais isoladas, sem tanto acesso ao público, são formidáveis. Tinha vezes em que um senhor idoso aparecia do nada, e sumia do nada também, transformando a experiência em algo único.

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Após passar por um momento de turbulência política e uma revolução que derrubou o presidente militar Hosni Mubarack há mais quatro anos, o Egito deixou de ser, durante uma época, atraente para os turistas – e o TripAdvisor deixava claro que não indicava a visita ao país.

Apesar do ápice da violência ter acontecido durante a revolução, quando houve 300 mortos e 5 mil feridos, entre janeiro e fevereiro de 2011, o País ainda é visto como um local politicamente instável, mesmo com Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, o atual presidente, no poder – ano passado, um avião foi derrubado e o turismo egípcio deixou de arrecadar US$ 1.3 bilhão.

Mas quem deseja visitar o Cairo, e cidades como Alexandria e Luxor, não precisa se preocupar com essa instabilidade. Uma das principais economias do Egito é o turismo, e os egípcio se esforçam ­ do jeito deles ­ para agradar o turista.

O maior problema para o turista no Cairo está, principalmente, na herança deixada por Mubarack. A cidade está abandonada. Há sujeira por todos os lados ­ perto das Pirâmides existe um tipo de aterro sanitário ­, e as entradas aos sítios arqueológicos não são nada convidativas. Ao subir na Torre do Cairo e apreciar a visão completa da cidade, é desolador ver um lugar secular tão mal cuidado.

As pirâmides aparecem no horizonte, a uma certa distância, ainda assim já é possível contemplá­-las. Mas, ao anoitecer, somem, já que não são iluminadas. Aliás, em vez de vermos uma cidade cheia de luz, nos deparamos com muita escuridão. Ecos dos 30 anos de Mubarack.

O trânsito é caótico. É impossível ver um veículo que seja intacto. Todos possuem uma mossa. Como a cidade tem poucos policiais de trânsito e quase nenhum semáforo, e os poucos que têm ficam piscando no amarelo, é comum passar horas no trânsito apenas por causa de um cruzamento.

Monumentos

Mas basta chegarmos às pirâmides e a esfinge para esquecermos todas as mazelas egípcias do século XX e sermos transportados para o século XVI a.c.

Ao conhecê-­las, não tem como não ficar encantado com a magnitude das construções realizadas há mais de cinco mil anos, principalmente em um local inóspito como o deserto, distantes do rio Nilo. Depois de vê­-las, o termo “obra faraônica” ganha um novo contexto.

Pirâmides são sensacionais e só elas já valeriam a viagem - Foto: Bruno Porciuncula
Pirâmides são sensacionais e só elas já valeriam a viagem – Foto: Bruno Porciuncula

O sítio com estes monumentos fica em Giza, mais distante do centro do Cairo. Um táxi custa, em média 25 LE (R$ 9,30). Lá, os avisos de “proibido” são meramente ilustrativos. Os viajantes podem ficar à vontade para fazer o que quiserem.

À noite, acontece o Espetáculo de Luz e Cor nas pirâmides – mostrada em 007 – O Espião que me Amava. Raios lazer sobre as pirâmides contam toda a história do Egito em um belíssimo espetáculo.

É proibido escalar qualquer pirâmide para tirar foto. Mas não se surpreenda se encontrar um policial sorridente sugerindo que escale para que ele mesmo registre este momento histórico.

A população, pobre em sua maioria, está menos preocupada com a manutenção dos monumentos, e mais com uma boa gorjeta que poderá receber. Dentro da pirâmide de Quéops não é permitido sequer entrar com a máquina fotográfica.

Mas, como não tem com quem deixar, o negócio é guardá­lo na mochila. Mas fotografar lá dentro é possível. O animado vigia que fica na entrada do túmulo tira todas as fotos e ainda sugere poses, como um verdadeiro fotógrafo de modelos.

Claro que ele cobra, dizendo que é proibido, que está arriscando o emprego dele, e pede 20 LE (cerca de R$ 5). Ao entrar em qualquer monumento, sempre aparece alguém se que se diz guia oficial do local falando um inglês embolado, para tentar te convidar para uma visita guiada, e receber uma gorjeta. Fuja disso.

Camelos são comuns no Cairo
Camelos são comuns no Cairo

Em alguns pontos turísticos menos badalados, como as pirâmides Vermelha e Curvada, em Dashur, não existe turista. Não é nada tranquilo entrar em um local secular, no meio do deserto, com só uma única saída, e o “segurança” ser um senhor barbudo, em trajes típicos, com uns 70 anos de idade e cara de poucos amigos.

Mas viajar também é se aventurar, e o interior da Vermelha, a primeira pirâmide com lados lisos do mundo, é fascinante e vale a visita.

Já no Museu do Cairo, o Tesouro de Tutancâmon é fantástico e muito bem visitado. A famosa máscara mortuária de ouro e tudo o que foi encontrado no túmulo do Faraó está à disposição para o deleite dos visitantes. Já para ter acesso à área das múmias do museu, e se encantar com a técnica egípcia que mantém conservado corpos seculares, é necessário pagar mais 100 LE (R$ 37).

Bons negociadores

Nós, brasileiros, temos o costume de, mesmo sem ter muito interesse em comprar, perguntarmos o valor das mercadorias apenas por curiosidade. No Egito, ao fazer isso, o vendedor, sempre aberto à negociação, não vai te deixar em paz até você levar o produto.

Ele está disposto a ouvir qualquer valor, por mais baixo que seja. Um belo quadro feito em um papiro original, pode ser comprado por 25% do valor inicial e, acredite, você ainda não terá pago o preço justo.

Os produtos, como estátuas de faraós, são belíssimos, mas é preciso ter muito espaço na bagagem ou arriscar um envio do Egito para o Brasil.

Matéria atualizada a partir de uma original publicada no jornal A TARDE, de Salvador, no dia 21/06/2012

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